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Torto

     A vontade de voar do homem desde muito cedo passou também pela mente de portugueses. Neste particular, há de se destacar a audácia que para a época (século XVI) teve de ser forçosamente suicida, de mestre João Torto.

     João Almeida Torto era enfermeiro do hospital de Sto. Antônio em Viseu, sendo também barbeiro com carta de sangrador, astrólogo e mestre de primeiras letras, sendo um personagem tão fanfarrão como audacioso. Anunciou publicamente que a 20 de Junho de 1540 iria voar com asas da Torre da Sé ao campo de S. Mateus. As asas eram de pano forte e duplo, duas de cada lado, sendo mais pequenas as asas inferiores, assemelhando-se às das aves. Estas duas asas estavam ligadas por três argolas de ferro, enchumaçadas com trapos, sendo através delas que mestre Torto metia os braços. Além disso, o mecanismo estava ligado na parte superior por duas dobradiças de ferro e na parte inferior, por um cinto de cabedal. Os sapatos eram de solas tríplices com estrutura amortecedora, levando ainda um barrete em feitio de cabeça de pássaro.

     No dia aprazado, era grande a assistência. João Torto subiu à torre da Sé, içou o seu aparelho com a ajuda de uma corda e de lá se lançou. O vôo correu bem até determinado ponto, mas, extemporaneamente uma das asas deixou de trabalhar e o barrete caiu-lhe sobre os olhos. Descreveu um arco descendente, caindo em pé na capela de S. Luís, mas logo dali caiu ficando inanimado sobre as asas, parecendo em muito mau estado. Voltou a si duas horas depois, mas faleceu logo após. Não era ainda por esta via que o homem conquistaria o ar.

Texto extraído da História da Aviação Portuguesa
Museu do Ar

 

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