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Susto

     Voar sempre foi minha paixão, porém os devaneios que esta vida oferece fizeram que fosse um mero ser renegado ao chão, alguém achou que um pequeno problema de visão tirava minha capacidade de pilotar um avião, hoje mudaram as leis e me dizem "foi um engano, desculpe nossa falha ... pena que passaram-se 20 anos entre os dois eventos.

     Mas a chama não é fácil de apagar, nestes anos me dediquei a AVIAÇÃO INFORMAL, aquela que nós não damos o braço a torcer, e aí fui eu na "marginalidade" do vôo: voar de ultra-leve (sempre com algum DAC mal humorado querendo provar que eu não tinha capacidade...), saltos, aeromodelismo, entrando em hangares (já entrei na TRANS BRASIL), todos shows aéreos, e outras atividades ligadas a aviação, mas tem uma que eu gostaria de relatar:

     Por volta de 1980 meu pai tinha um sítio em São Roque onde havia um platô de uns 600 metros, claro que limpei tudo e coloquei grama dizendo que poderia ser usado para um campo de futebol (a intenção era de um campo de ultra leve, que estava timidamente começando no Brasil), passado alguns meses consegui convencer alguns conhecidos que possuíam UL a voar por lá, vôos, churrascos... altas festas... Um dia o Marcelo (um piloto que possuía um UL me convidou prá um vôo, e fomos na direção de Sorocaba, a intenção era voar sobre a cidade (10 minutos do meu "campo") e voltar, como ele sabia da minha "ânsia" após a decolagem deixou que eu assumisse o comando, procurei um rumo que me levasse até a rodovia Raposo Tavares e aproei Sorocaba, estava um céu de brigadeiro e o vôo foi ótimo, no retorno o tempo começou a fechar e fui "furando" o mais baixo possível e pensando como seria possível que o tempo mudasse tanto em tão pouco tempo, mas íamos prosseguindo... Ao chegar próximo ao nosso "campo de pouso" o tempo tinha fechado mesmo e o desespero (meu) tinha chegado ao limite, pedi para o Marcelo assumir por estarmos voando no caranguejo e não conseguia manter a proa, a chuva entrava por todos os buracos da minha roupa e o frio começava a apertar, neste instante um pássaro passa ENTRE NÓS DOIS e o Marcelo diz que foi atingido e está muito machucado, a adrenalina não poderia ser maior, vou mantendo o rumo desesperadamente e sendo auxiliado pelo Marcelo nos momentos que não tinha mais condições, começo a rezar para que o troço não pegue fogo... a pista parece umbigo de vedete, para lá e para cá, neste sufoco vamos conseguindo e pouso no nosso "AERÓDROMO". O Marcelo que até então estava fazendo uma cara de quem precisava ir para uma UTI me olha com um baita sorriso e diz: SOLOU !

     Ele não tinha se machucado nada !!!! o auxílio que me dava na verdade era pura concentração, se eu fizesse algo de errado ele assumiria...

     Terminamos com um baita churrasco e muita gozação da minha cara.

     A todos que amam aviação um enorme abraço !

Ricardo Bonotto

 

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