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Arthur de Sacadura Freire Cabral

Artur Freire de Sacadura Cabral nasceu em Celorico da Beira no dia 23 de Abril de 1881.  Passou a infância na Beira mas, como pretendia fazer carreira na Armada, ingressou na Escola Politécnica e depois na Escola Naval em Lisboa, com apenas 16 anos. Em 1900 foi promovido a guarda-marinha e pouco depois seguiu para Moçambique integrado na Divisão Naval do Índico. Ali prestou serviço a bordo de vários navios entre 1901 e 1904.


A partir de 1906 deixou o mar e foi destacado para a "Missão Geodésica da África Oriental", encarregado de efetuar reconhecimentos geográficos em Moçambique e, mais tarde, em Angola. Em algumas destas missões trabalhou sob as ordens de Gago Coutinho. Embora Sacadura Cabral fosse doze anos mais novo tornaram-se grandes amigos. Durante meses a fio percorreram o mato para observarem planícies e montanhas, lagos e rios, fizeram medições e registos que permitissem desenhar mapas das vastíssimas regiões desconhecidas dos europeus. Sacadura chegou a atravessar África de ponta a ponta, entre Angola e Moçambique.


De regresso a Lisboa concorreu à aviação e, em 1916, partiu para França onde obteve carta de piloto e se especializou em hidroaviões. Ainda nesse mesmo ano foi nomeado instrutor da escola de Aviação Militar de Vila Nova da Rainha. Foi nessa época que convidou Gago Coutinho para um "batismo do ar". Mais tarde foi encarregado de organizar a aviação marítima e, quando em 1919 comandava o Centro de Aviação Marítima do Bom Sucesso em Lisboa, recebeu o aviador americano Read que acabara de fazer a 1ª Travessia do Atlântico Norte. A partir dessa altura, sonhou realizar um projecto arriscado: imitar por via aérea o que Pedro Álvares Cabral realizara em 1500, ou seja, atingir o Brasil partindo de Lisboa. Apresentou a ideia ao Ministro da Marinha que o apoiou. Sacadura lançou-se de corpo e alma nos preparativos da viagem: era necessário comprar um avião capaz de voar pelo menos 1200 milhas, a etapa mais longa, entre Cabo Verde e a ilha Fernando de Noronha, e encontrar um método de navegar até a uma pequena ilha perdida no oceano, depois de muitas horas em que só veria mar e céu. Pediu então a ajuda de Gago Coutinho, o cientista mais competente naqueles assuntos.


E não se arrependeu, pois o companheiro apresentou um instrumento simples e eficaz que acabara de inventar, o sextante com bolha de ar, que permitia orientar um avião sem referências visuais. Experimentaram-no em várias viagens ao longo da costa portuguesa e em 1921 uma viagem entre Lisboa e o Funchal. Não restavam dúvidas: o "sextante de bolha de ar" era mesmo seguro! Entretanto, Sacadura Cabral adquirira na Inglaterra um hidroavião Fairey-400 com motor Rolls Royce Eagle de 350 hp. Fez vários ensaios, mandou efetuar algumas modificações e decidiu que podia lançar-se na aventura.


Como em 1922 se comemorava o centenário da independência do Brasil, resolveu que seria uma excelente ocasião para realizar a 1ª travessia aérea do Atlântico Sul. E finalmente, entre o dia 30 de Março e o dia 17 de Junho desse ano, efetuou, com Gago Coutinho, a viagem que iria consagrá-los como os aviadores mais famosos da aviação portuguesa!


De regresso a Lisboa, no  Porto, foram recebidos em apoteose. O Presidente da República, António José de Almeida, esperava-os no Terreiro do Paço e condecorou-os mal desembarcaram. Apesar da chuva forte, a multidão não arredou pé. Os estudantes desatrelaram os cavalos do carro em que seguiam os aviadores e empurraram-no pela Baixa e pela Avenida da Liberdade, onde as pessoas às janelas lhes lançavam flores. Nos meses seguintes, receberam inúmeras homenagens em Portugal e no estrangeiro e fizeram conferências em França, Espanha, Itália e na Bélgica, relatando em pormenor a sua façanha.


Mas Sacadura Cabral não era homem para se satisfazer com um projeto cumprido e depois disso cruzar os braços…


Em 1923 iniciou preparativos para uma viagem de circunavegação aérea, seguindo a rota de Fernão de Magalhães. Apesar de ter enfrentado recusas oficiais, conseguiu apoio em Portugal e no Brasil e encomendou na Holanda cinco hidroaviões.


Em Junho de 1924 pilotou um dos hidroaviões até Portugal sem novidade.


Mas, no dia 15 de Novembro desse mesmo ano, quando regressava ao comando do segundo avião acompanhado pelo mecânico Pinto Correia, caiu no mar do Norte devido ao mau tempo e desapareceu para sempre.


Em vez de dizermos simplesmente "morreu", podemos dizer "efetuou o último vôo e desvaneceu-se nos céus como um verdadeiro herói da aviação".

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