Make your own free website on Tripod.com

 

Que figura!...

     Ainda que quisesse voar a qualquer custo, como centenas de malucos que invadiam a capital francesa no final do século passado, Alberto Santos Dumont não chegou a cometer nenhum absurdo. Quase diariamente alguém se atirava de alguma ponte segurando uma "asa" improvisada em cada mão. Quando chegou a Paris, aos 18 anos, em 1891, Dumont também provocou risos, sim, mas foi ao pendurar um automóvel numa árvore, em plena praça pública. Ninguém entendeu nada. O então candidato a inventor queria saber se, suspenso, o motor trepidaria - o que não aconteceu, como ele imaginava. Até então, ninguém tinha ousado instalar um motor a gasolina num balão porque se acreditava que a trepidação o impediria de subir. Dumont correu para casa e desenhou o primeiro dirigível do mundo, cuja trajetória não dependia do vento.

     Bem que seu Henrique, um abastado fazendeiro em Palmira (MG), achou que o filho tinha futuro como inventor. Pôs o rapaz num navio com destino à Europa apostando numa carreira brilhante. Pudera, ainda adolescente, Alberto impressionava os amigos do pai com os conhecimentos de engenharia e mecânica. O pequeno universo da fazenda Cabangu, onde ele nasceu a 20 de julho de 1873, não tinha muito a oferecer ao geniozinho.

     No velho mundo, elegante, Dumont ditava moda exibindo-se pelas ruas com figurinos exóticos, que ele próprio desenhava, além de chapéus esquisitos e o colarinho alto. Construiu seis balões e oito dirigíveis, todos apelidados com números - à exceção do Balão Brasil -, mas pulou o oito porque, supersticioso, achava que era seu número de azar. Seus rotineiros passeios aéreos eram a alegria dos parisienses. Descia, em pleno centro da cidade, para tomar um chá ou visitar algum amigo. Mas quando balões e dirigíveis perderam a graça, o brasileiro inovou. Nem o espírito visionário de seu Henrique previu que ele entraria para a história inventando o avião. Embora o título de Pai da Aviação seja contestado pelos que juram terem sido os irmãos Wright os autores do invento, o mérito do 14-Bis é indiscutível. Os americanos esfregam no nariz dos brasileiros uma fotografia de 1902 em que aparece um dos Wright pilotando um avião a três metros de altura. Não houve testemunhas da suposta façanha e a Europa só tomou conhecimento dela em 1908. Em 1906, Dumont percorreu 120 metros voando a uma altura de seis metros, enquanto a multidão de parisienses aplaudia e acenava lencinhos lá embaixo.

     Ele não registrou o invento na esperança de tornar mais fácil o sonho dos que desejavam ter seu próprio avião. Quando voar virou rotina, entretanto, ele foi esquecido e voltou ao Brasil, em 1918. Em Petrópolis (RJ), construiu uma casa, hoje aberta à visitação pública, sem cozinha (comia em hotel), sem cama (colocava um colchão sobre a mesa de trabalho) e com os degraus da escada recortados. Para entrar, o visitante precisa pisar com o pé direito - mais uma de suas manias supersticiosas. Na casa só cabem três pessoas - ele não casou nem teve filhos. Depois que viu o avião sendo usado na Revolução de 1932, suicidou-se, em julho do mesmo ano.

     Você sabia?

     Inventou o relógio de pulso com a ajuda de uma velha conhecida dos brasileiros, a princesa Isabel. Quando a amiga lhe deu de presente uma medalha de São João Batista, amarrou-a no pulso, já que no pescoço poderia atrapalhá-lo durante os vôos. Aí teve o lampejo: era o lugar ideal para o relógio. O primeiro modelo está à venda até hoje.

 

<< voltar