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Piloto de primeira viagem

     Eram meados de junho/98 e finalmente chega o dia de fazer o trajeto do CEU - clube esportivo de ultraleve, no Rio de Janeiro, onde estava o "XATINHO", nome que batizei meu ultraleve ML-400, até o Aero Clube de Volta Redonda, onde consegui uma vaga no hangar, para guardá-lo.

     Seria dia 13 - não por superstição, mas coincidência mesmo - uma segunda-feira, dia da semana escolhido, por ser o único dia da semana que o clube CEU não funciona.

     Assim, poderia contar com a boa e tranquilizadora companhia do meu instrutor Osmar - um gaúcho voador, piloto de avião, girocóptero e ultraleve, com centenas de horas de vôo - motivos de sobra, para escolher esse nobre passageiro.

     Juntos traçamos na Carta Aeronáutica - um mapa super detalhado - a rota que faríamos, calculando tempos e consumos. Concluímos que a autonomia do Xatinho daria, com larga margem de segurança, para chegarmos a Volta Redonda sem abastecer, com duas paradas:

     Em Nova Iguaçu, para nos informarmos no Aero Clube de lá, da correta direção a tomarmos, e em Barra do Piraí, na Fazenda Ribeirão onde iríamos almoçar, para depois seguir viagem.

     Passei todo o domingo antes da viagem, com o Valdir - acompanhando a revisão de 25 horas do Rotax 532 do Xatinho - motor de 2 tempos de origem austríaca, que faz a grande maioria dos ultraleves decolar.

     Com o OK do Valdir, decolei para o vôo de teste e retornei para os últimos preparativos da viagem:

     Solicitei autorização do diretor técnico do clube para decolar na segunda-feira, avisei aos vigias e combinei com os manobreiros, para guardar por último o Xatinho - o clube tem mais de cem ultraleves e eu não podia correr o risco de ter que manobrar dezenas deles na hora da saída.

     Ufa!! Tudo acertado!! E uma boa surpresa de última hora: O Marcos, um piloto do clube, manifestou vontade de vir conosco, voando no ultraleve Fox V5 da escola, e levaria na volta o Osmar.

     A manhã escolhida foi a mais bonita do mês de junho, e às 9:30 já estávamos tirando os ultraleves do hangar. Fizemos um detalhado, porém rápido, check de decolagem e alinhamos na pista 07 em uso.

     Levei a manete à frente, senti a firmeza do Rotax me fazer decolar com facilidade em companhia do Osmar, e acenei para o mano José Luiz, um pouco preocupado, assistindo nossa partida, ao lado da minha querida cunhada Márcia.

     Na primeira curva à esquerda, vi o Marcos decolando o Fox V5 da Ultra Pilot e iniciamos a subida para Nova Iguaçu, vencendo a serra a mais de 2000 pés e em 16 minutos estávamos pousando na pista do Aero Clube, depois de um longo vôo planado.

     Meia hora mais tarde, após um café, estávamos decolando novamente, e usamos a bússola do ultraleve da escola para nossa orientação. Acertamos a proa e começamos a navegação por contato, ou seja, voamos conferindo os pontos mais significativos, tais como rios, rodovias e cidades, com a CARTA.

     Estávamos quase a 3500 pés quando Osmar me perguntou: - Tá vendo o Marcos? Eu também não! Respondi. Por dois minutos, que pareceram uma eternidade, perdemos o Marcos, que consegui avistar bem abaixo , após iniciarmos um 360 graus, também nos procurando.

     Apesar do capacete e um agasalho "de respeito", o vento frio da montanha incomodava o rosto, enquanto sobrevoávamos o município de Paulo de Frontin, que reconheci com facilidade das alturas.

     Eu, piloto de primeira viagem, fiquei surpreso com a visão da minha cidade - Barra do Piraí - apenas 31 minutos depois de decolar de Nova Iguaçu.

     Logo avistamos a pista do Hotel Fazenda Ribeirão em Barra do Piraí - nossa parada para almoço - um lugar maravilhoso, mistura bem dosada de natureza e requinte - que conquistou o Marcos e principalmente o Osmar: Tratou de fazer fotos dos mais bonitos pontos do local, com pose de turista, para "fazer inveja" aos outros instrutores do clube Céu.

     Por sorte reservamos antes, por telefone, o nosso almoço, pois naquele dia, o hotel estava todo alugado por um "SPA", e assim garantimos uma comida nada light para nós. Que bom!!

     Terminado o almoço, fizemos a caminhada de volta até a pista - boa para a digestão e boa também para conhecer melhor o lugar.

     Liguei para a Solange, minha esposa, no trabalho - que já estava a caminho de Volta Redonda, com minha filha Paula, para nos esperar - eu voltaria com elas, pois moramos em Barra do Piraí.

     Decolamos da fazenda em seguida, sobrevoamos Barra do Piraí e ganhamos altura - com um pouco mais de 2000 pés de altitude, avistamos a fumaça branca e densa da CSN - Companhia Siderurgica Nacional - direção correta para sobrevoar a pista.

     Em poucos minutos avistamos a pista e fiz meu primeiro pouso com o Xatinho em Volta Redonda, no Aero Clube, pista asfaltada, longa (1000 metros) e única, bem diferente das 3 pistas gramadas do Clube CEU, onde tirei meu CPD - Carteira de Piloto Desportivo.

     No final do taxi, avistei a Solange e Paula, próximo ao hangar, acenando, mais tranqüilas com a nossa chegada.Alguns minutos depois do pouso, vejo o Beto - dono do único ultraleve da região - um Microleve MLF300 - sorridente dando-me as boas vindas.

     Com a hora bem avançada, Marcos e Osmar traçaram na carta, a rota de retorno, sem pousos intermediários, visto que os tanques extras deram autonomia de sobra ao Fox V5.

     Despediram e decolaram rumo ao Rio de Janeiro. Eu fiquei, depois dessa primeira viagem, muito mais confiante e admirador da Aviação Ultraleve, que tive a felicidade de conhecer.

Jorge Fernando Gomes de Almeida

 

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