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Lembranças

     Ali, parado, de pé, naquela linda relva verde, podia sentir o cheiro do anoitecer, as sombras engoliam lentamente a Terra. A noite caia.

     Pousado à tempo, esperava somente a noite deixar o dia tomar conta do céu para poder prosseguir viagem. Como sempre, me encontrava a sós com meu aviãozinho, minha fiel e forte aeronave estava mais elegante e robusta do que nunca.

     O céu avermelhado me encantava, sentei por alguns instantes no pneu do avião, mas assim fiquei esperando o sol finalmente partir. O que não durou muito tempo. Com o fim do espetáculo, voltei à minha consciência de aventureiro que pretendia chegar ao Sul do Brasil.

     Já havia visto belas praias, as mais lindas cidades, e cada vez mais, os rolos de filme se amontoavam no bagageiro, talvez minha Cannon estivesse cansada, mas como inseparável amiga, nunca havia me deixado na mão.

     Uma vez estava cruzando as praias de Santa Catarina logo após o nascer do dia. Voava baixo, bem baixo, quase tocando a areia, ..., saudades. Bem, lá estávamos nós, eu mais meu avião, voando a cerca de dois metros de altura; não se espantem, não havia ninguém nas praias, eram desertas, voava a baixa altura para o avião aumentar a velocidade, por causa de um tal de efeito solo.

     A praia se estendia até onde a vista alcançava. Uma poucas e humildes casas de provavelmente pescadores, ficavam à beira da praia. Fiquei então a observar aquelas moradias que passavam ligeiramente na ponta da asa, aquele avião de asa alta ajudava muito a observar a paisagem, (talvez fosse por isso que eu o tivesse escolhido). Vi de rabo de olho que alguns populares me olhavam com um olhar assustado, - será que nunca tinham visto um avião passando na praia antes? É claro que não.

     Ao me atentar melhor, pude observar ao longe ainda, uma senhora e seu filho saírem de uma das casas para provavelmente alcançarem o mar. Nem tive preocupação em me desviar, pois, como quem segura o filho antes de atravessar uma rua qualquer, a senhora assim o fez, segurou o garoto, que impaciente nem olhou para os lados antes de atravessar a praia. E eu passei, uma breve troca de olhares amistosos, um tchauzinho ao garoto que estava boquiaberto , e sigo viagem, solitário como sempre.

     Puxa, bons tempos estes não, cada história para ser contada, mas ficam para uma outra vez.

     Estava lá, sentado em baixo da asa, pensativo, e agora com fome. A noite caiu.

Márcio Rossi Perez

 

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