Anésia Pinheiro Machado

     Pioneira da aviação civil no Brasil.

     Nascida em 5 de Junho de 1904. Com apenas 18 anos, recebeu o brevet de vôo número 77 da Federação Aeronáutica Internacional, pelo Aeroclube do Brasil, sendo a primeira aviadora brasileira a conduzir um passageiro e a praticar vôo de acrobacia; um feito notável para uma mulher naquela época e com aquela idade.

     Em Setembro de 1922, durante as comemorações do Centenário da Independência, fez o percurso São Paulo - Rio de Janeiro. Por esse feito, que teve grande repercussão, recebeu muitas homenagens, destacando-se a que lhe foi prestada por Santos Dumont, que lhe ofertou, juntamente com uma carta de felicitações, uma medalha igual à que o acompanhava sempre.

     Especialmente convidada pelo Governo dos Estados Unidos da América, em abril de 1943, durante a guerra, seguiu para aquele país, para realizar um curso avançado de aviação, sob os auspícios do "Coordinator of Inter-American Affairs" (Coordenador de Assuntos Interamericanos) e direção do "Civil Aviation Administration (C.A.A.). Departamento de Aeronáutica Civil - hoje F.A.A. (Federal Aviation Agency). Em 3 de julho de 1943 obteve a licença de vôo número 361.625 e, sucessivamente, as de piloto comercial, de instrutor de vôo e de piloto de vôo por instrumentos e a de Instrutora de Link Trainer. Convidada pela Panair do Brasil, exerceu o cargo de Instrutora de Link-Trainer, no Departamento de Ensino de vôo por Instrumentos, de 1944 a 1948.

     Oficialmente reconhecida e proclamada pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI), na Conferência de Istambul, em setembro de 1954, por ser a detentora do brevet mais antigo no mundo ainda em atividade de vôo. Esse título, único no mundo, foi outorgado à aviadora brasileira por aquela entidade máxima da aviação civil internacional, após minuciosas pesquisas levadas a efeito durante três anos, sendo-lhe, por este motivo, conferido o Diploma "Paul Tissandier".

     Foi a primeira aviadora brasileira a realizar em 1951 um vôo transcontinental, ligando as três Américas, em vôo de New York ao Rio de Janeiro e também a que cruzou a Cordilheira dos Andes em avião monomotor, pela rota comercial do Paso do Aconcágua, de Santiago (Chile) a Mendoza (Argentina).

     Em 1956, realizou outro vôo intercontinental, por delegação da Câmara do Distrito Federal (hoje Estado do Rio de Janeiro) em comemoração ao "Ano Santos Dumont", delegada ainda pelo Ministério da Aeronáutica, tendo proferido conferências sobre a personalidade de Santos Dumont e o desenvolvimento da aviação brasileira.

     Recebeu várias homenagens destacando-se títulos de cidadã honorária do: Rio de Janeiro, São Paulo, Estado do Missouri - USA, Salissaw - Oklahoma - USA, Keokuk - Iowa - USA, Baton Rouge -Lousiania - USA e Atchison - Kansas - USA. Condecorações Militares estrangeiras: Medalha da Aeronáutica da França em 1952, Cruz Peruana al Merito Aeronáutico da Força Aérea Peruana em 1956 e Medalha do Ministério da Defesa do Paraguai. Condecorações civis estrangeiras: Ordem al Mérito "Bernard O'Higgins" do Chile em 1951, Orden Nacional del Merito do Paraguai em 1958, Grande Colar da "Ordem Pioneira da Rosa dos Ventos" da Alemanha em 1967 e Medalha Cruz da Aviação da Venezuela em 1976. Condecorações militares brasileiras: Medalha do Atlântico Sul em 1959, Medalha de Guerra em 1951, Medalha do Mérito Aeronáutico em 1972, Mérito Naval em 1956, Mérito Militar em 1974 e Medalha Mérito das Forças Armadas - EMFA em 1988. Condecorações civis brasileiras: Ordem Nacional do Mérito em 1959, Ordem do Mérito Rio Branco em 1970 e Medalha de Brasília em 1992 entre outras.

     Desde longos anos, em suas freqüentes viagens aos Estados Unidos, trabalhou sempre, por iniciativa própria, num sentido promocional de maior divulgação da vida e dos trabalhos de Santos Dumont, que hoje está representado em vários museus daquele país, mediante doação por ela feita de modelos em escala dos aviões do grande brasileiro. Em 1973, Ano do Centenário de Santos Dumont, foi prestada excepcional homenagem ao grande brasileiro nos Estados Unidos, quando, por sugestão do Museu do Ar e do Espaço da Smithsonian Institution, ao Comitê Internacional de Nomenclatura Astronômica, o seu nome foi dado a uma cratera na Lua.

     Em 1978, estando na Austrália como participante de uma convenção internacional de aviação, foi convidada para ser madrinha do primeiro "Bandeirante" adquirido por aquele país e a esse "Bandeirante" deram o nome de Anésia Pinheiro Machado.

     Faleceu em 10 de Junho de 1999, aos 95 anos.



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